Posts de Setembro, 2006

Receita para uma festa inesquecível.

Setembro 26, 2006

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É sempre uma festa ótima e a receita é a seguinte, tudo é organizado do jeito que o morto mais gosta. Servem-se quantidades industriais das bebidas e das comidas que o defunto mais aprecia, decoração e música escolhidos no estilo exato para agradar o falecido e o mais importante, com todos, mas todos mesmo, amigos do enterrado. Este é o único que não recebe o convite, mas fica sabendo de cada detalhe da festa. Funciona como uma tortura psicológica, até o último momento iludido, o pobre não sabe se será convidado ou não, muitos telefonemas e excelentes encenações para atiçar ainda mais sua vontade de comparecer e aproveitar a boca livre. O clima é de armagedom, quem não puder ir dançou. Só se fala nisso, roupas novas, acessórios hiper criativos, a lista de convidados na ponta da língua…   E a guerra de nervos não termina com o fim da festa, a primeira etapa do falecimento é ter que conviver com colunas sociais noticiando cada detalhe do evento, sempre que colocar o pé na rua ouvir os elogios mais rasgados da noite inesquecível. Tudo tão perfeito, só ele que não foi, estavam todos lá…. Todos coniventes e conscientes do objetivo da exclusão. Depois desta etapa torturante os convites cada vez mais escassos  e param  de chegar de vez, ostracismo total. Hora de pensar em escolher um animalzinho de estimação, desencanar com algumas bobagens tipo pelo de gato na roupa, depois da morte  também é uma boa idéia esquecer da dieta, já que a diversão noturna vai ser colocar o moletom e enfiar a cara com vontade num pote de sorvete bem calórico e a excitação passa a ser o capitulo final da novela e os casamentinhos mixurucas dos casais da trama.

O enterro social é um dos eventos mais empolgantes e premeditados que se tem notícia.

Setembro 26, 2006

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O enterro social é sempre engraçado de presenciar. Quem já participou do ritual conta que é tudo bem agitado, animado mesmo, com muitos telefonemas, reuniõezinhas para deixar o grupo mais fechado e morrer de rir dos mortos. Perguntas demais, interesse demais na sua vida não é presságio de boa coisa, as pessoas não são preocupadas com as outras. Existem almas boas e evoluídas, a sorte de encontrar um ser destes no seu caminho deve ser considerada, mas prepare-se para o pior. Os bons de verdade são poucos e você vai saber reconhece-los pelas atitudes cotidianas, na duvida fique na sua, faça um ar de mistério e só passe informações  que te darão tempo de correr para bem longe se preciso for, que te dê uma certa vantagem, algum diferencial. Quem não gosta de uma figura misteriosa, inteligente e sedutora? Somos capazes de dedicarmos nossas existências e almas aos que nunca deixam à peteca cair e que se revelam aos poucos. Mostrando somente seus aspectos mais bacanas em flashes displicentes mas totalmente elaborados, tudo bem que no final a figura seja uma bobagem, mas até lá muita água passou pela ponte, moveu o moinho e rendeu lucros a terceiros. Dica:  O preço da curiosidade que nunca cobra pouco ou dá desconto no final.   

Cuidado com os Atalhos.

Setembro 20, 2006

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Tem gente que não gosta de trabalhar, não tem paciência de esperar a vez, acha que a história de batalhar por espaço, de conquista por mérito próprio é uma grande bobagem. Nada contra, admiro profundamente quem consegue se defender com esta autenticidade, afinal de contas, eu também prefiro a indolência que usar meus neurônios para as coisas práticas da vida que garantem sustento e existência. No entanto para não viver no nível do desapego indigente é necessário ter uma solução econômica viável para as necessidades básicas. Algumas pessoas conseguem isso usando atalhos que se tornam muito perigosos para os que não tem uma inteligência acima da média. Tudo parece simples no começo mas ao primeiro obstáculo estas se vêem completamente sozinhas. Abandonadas a própria sorte, despreparadas e tendo que topar qualquer coisa para manter o estilo de vida. O mais comum é o casamento com gente que pode, que já vem com o caixa pronto para muitas gerações. Acho justa a distribuição de renda, mas na maioria das vezes o resultado desta decisão é bem abaixo do esperado, gente que passa a vida espreitando uma carteira cheia e solteira fica muito esquisita, já vi pessoas que modificaram sua orientação sexual só para não perder uma oportunidade. Difícil de visualizar onde está o conforto de uma decisão como esta.