Receita para uma festa inesquecível.

By alpinismosocial

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É sempre uma festa ótima e a receita é a seguinte, tudo é organizado do jeito que o morto mais gosta. Servem-se quantidades industriais das bebidas e das comidas que o defunto mais aprecia, decoração e música escolhidos no estilo exato para agradar o falecido e o mais importante, com todos, mas todos mesmo, amigos do enterrado. Este é o único que não recebe o convite, mas fica sabendo de cada detalhe da festa. Funciona como uma tortura psicológica, até o último momento iludido, o pobre não sabe se será convidado ou não, muitos telefonemas e excelentes encenações para atiçar ainda mais sua vontade de comparecer e aproveitar a boca livre. O clima é de armagedom, quem não puder ir dançou. Só se fala nisso, roupas novas, acessórios hiper criativos, a lista de convidados na ponta da língua…   E a guerra de nervos não termina com o fim da festa, a primeira etapa do falecimento é ter que conviver com colunas sociais noticiando cada detalhe do evento, sempre que colocar o pé na rua ouvir os elogios mais rasgados da noite inesquecível. Tudo tão perfeito, só ele que não foi, estavam todos lá…. Todos coniventes e conscientes do objetivo da exclusão. Depois desta etapa torturante os convites cada vez mais escassos  e param  de chegar de vez, ostracismo total. Hora de pensar em escolher um animalzinho de estimação, desencanar com algumas bobagens tipo pelo de gato na roupa, depois da morte  também é uma boa idéia esquecer da dieta, já que a diversão noturna vai ser colocar o moletom e enfiar a cara com vontade num pote de sorvete bem calórico e a excitação passa a ser o capitulo final da novela e os casamentinhos mixurucas dos casais da trama.

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