O Incomodo é desnecessário. De qualquer natureza esta sensação não vale a pena. Melhor sair fora na hora. Digo isso lembrando dos alpinistas culturais, tenho esta vocação religiosa: o grande trunfo da humanidade é modificar a realidade através do talento e da arte de emocionar. O artista trabalha e revela sua sensibilidade por vocação e compromisso com a arte, muitas vezes esta verdade revelada funciona como um vetor negativo para sua ascensão social. Nem toda produção cultural pode ser apresentada com uma linguagem pop, fácil de ser digerida pelo grande público. A arte também é rude, difícil de ser encarada. A ascensão social do artista é ligada ao produto apresentado, quando este resultado é o questionamento do homem cria-se um incomodo generalizado e este artista vai depender então de mais sorte e persistência por ter algum reconhecimento. Este caminho é difícil e alguns acabam entrando por sorte na máfia intelectual correta. Mas por favor, cada artista no seu galho. Quem pinta não precisa ser na mesma semana careca e moicano, verborrágico e falar alto, ignorando sua própria histeria. Muito menos ser melhor comediante que desenhista. Ser multimídia é diferente de ser carente de atenção, criar conclusões para si todo o tempo é implorar o julgamento, e principalmente, nenhuma produção pode ser boa se não houver um tempo de questionamento da obra. Ou se vende pão ou circo, não dá para fazer os dois. Na maioria das vezes os grandes pintores se tornam personagens da mídia, da curiosidade alheia, mas duvido que algum dos talentosos de verdade se apresente alguma vez como esta figura sensação. Outra coisa, artista que vive o romantismo da boemia, que utiliza suas viagens internas como característica de personalidade ficou no passado, se foi. Hoje é tudo business, gente mais séria, compromissada com a clientela. Acabou a época que pneumonia transformava repouso em bons escritores, que uma bebedeira era a entrada num movimento contemporâneo de rebeldia. Desculpem-me, mas acabou, hoje quem está subindo rápido são os resistentes no ofício. Vamos deixar o porre e o escambau pelo simples prazer, pelo deliberar a existência, por buscar aventura e emoção em alguns minutos de entrega. Artista de verdade tem senso de humor, mas também oferece reflexão – como não dizia Aristóteles. Dica: Não compre artistas que produza mais de 40 peças por dia, a não ser que estes seja a reencarnação comprovada por curadores (esta profissão é bacana né?) do mestre Andy Warhol.
